Dossiês, quebra de sigilo e 'blitz encomendada': veja como funcionava a 'agência' de espionagem de empresário Alan Cavalcante em BH

  • 18/06/2026
(Foto: Reprodução)
Mensagens rastreadas pela Polícia Federal entre Tayná e uma agência. Polícia Federal A segunda fase da Operação Rejeito, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (18), em Belo Horizonte, teve como alvo uma organização criminosa que atuava em Minas Gerais e era liderada pelo empresário Alan Cavalcante. A companheira dele, Tayná Vitória Cerqueira Gouveia, considerada uma das principais integrantes do grupo, também foi presa. Alan é investigado pela Polícia Federal como líder de uma organização criminosa investigada por fraudes em licenças ambientais no setor de mineração. As investigações revelaram a existência de uma estrutura paralela de inteligência voltada para o levantamento de dados sigilosos e monitoramento de autoridades. O esquema oferecia o acesso ilícito a informações que só poderiam ser obtidas com autorização judicial ou por agentes do Estado. De acordo com a PF, os dispositivos apreendidos mostram que o grupo utilizava canais permanentes com empresas de investigação que operavam sob nomes como "Rastrear", "Detectar" e "Foco". A "gerente" do esquema Com o rastreamento de mensagens, a Polícia Federal teve acesso a conversas de aplicativos entre Tayná Vitória e essas empresas de investigação (veja mensagens acima). Os diálogos extraídos confirmam que a companheira do empresário Alan Cavalcante, era a peça-chave na operacionalização dos pedidos. Embora não figurasse formalmente nas empresas do grupo, ela atuava como intermediária operacional, sendo a responsável por vários pedidos. Entre as ilegalidades listadas pela polícia estão: Consulta de placas de veículos e números de telefone Solicitar diligências de vigilância física 24 horas Além disso, segundo as polícia, Tayná realizava pagamentos via Pix diretamente para os donos das agências e recebia relatórios para serem repassados para Alan. Em um dos prints da investigação, Tayná envia a foto de uma placa de carro e pergunta: "Quanto fica?". A agência responde prontamente: "Te mando essa cortesia" (veja os prints mais acima). Segundo a PF, essa proximidade e a oferta de "cortesias" indicam que o grupo era um cliente VIP e recorrente da estrutura clandestina. O "Menu" do crime e acesso a sistemas restritos O que mais impressionou os investigadores foi o nível de detalhamento das informações obtidas. O grupo recebia dossiês completos que incluíam dados de Imposto de Renda, histórico de compras online, registros de vacinação (lotes de vacina contra COVID-19) e endereços vinculados a contas de banda larga. A PF destaca que o padrão dessas fichas é compatível com consultas indevidas a bases restritas do governo, e há a suspeita de ter agentes públicos envolvidos ou acesso ilegal a senhas institucionais. Blitz Policial Encomendada A investigação da Polícia Federal detalhou um plano da organização criminosa para simular uma blitz policial "encomendada" contra a ex-esposa do empresário Alan Cavalcante. O esquema foi operacionalizado por sua companheira, Tayná Vitória, que negociou com uma agência de investigação a contratação de "parceiros" dentro das forças de segurança para realizar a abordagem. O objetivo era que um policial civil interrompesse o trajeto de Mônica sob pretexto de "atitude suspeita", acionando logo em seguida a Polícia Militar para realizar o teste do bafômetro e o reboque do veículo, forçando um flagrante de embriaguez. O serviço clandestino tinha preços tabelados: R$ 7mil para ocorrências em Belo Horizonte e R$ 8 mil em Nova Lima, valores justificados pela necessidade de mobilizar contatos nas corporações. A investigação também apontou Nas mensagens interceptadas, a agência chegou a dispensar a vigilância física para o flagrante, revelando que o carro da vítima já estava "chipado" — ou seja, monitorado em tempo real por um rastreador instalado ilegalmente. Alvos: de policiais a juízes Em uma das consultas realizadas pela organização, o alvo identificado foi um policial civil de Minas Gerais. O esquema também foi usado para tentar cercar a Justiça. Quando um mandado de segurança de interesse do grupo foi redistribuído para um juiz, Alan ordenou que Tayná fizesse "aquele mesmo trabalho". A organização teve acesso ao CPF do magistrado, seus dados financeiros e uma árvore genealógica completa, identificando até um primo de primeiro grau do juiz para tentar uma aproximação indireta. A PF afirma que a manutenção dessa rede representava um "perigo processual concreto", já que o grupo tinha capacidade de intimidar testemunhas e mapear a rotina de autoridades em tempo real, chegando ao ponto de instalar rastreadores clandestinos nos carros dos alvos. O g1 tenta contato com as defesas de Alan Cavalcante e Tayná Vitória. PF e MPF fazem nova fase de operação contra grupo suspeito de espionar investigações PF e MPF deflagraram a segunda fase da Operação Rejeito em Belo Horizonte. Polícia Federal Vídeos mais vistos no g1 Minas Gerais

FONTE: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2026/06/18/dossies-quebra-de-sigilo-e-blitz-encomendada-veja-como-funcionava-a-agencia-de-espionagem-de-empresario-alan-cavalcante-em-bh.ghtml


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